BRICS e Mineração de Bitcoin: Energia e Geopolítica
Os principais blocos economicos do mundo
O G7
O G7 (Grupo dos Sete) reune as principais economias industrializadas: Estados Unidos, Canada, Reino Unido, Franca, Alemanha, Italia e Japao. Este grupo representa aproximadamente 45% do PIB mundial e historicamente exerceu forte influencia na governanca economica global, definindo agendas em comercio internacional, politica monetaria e desenvolvimento sustentavel.
Estabelecido na decada de 1970 em resposta a crise do petroleo e colapso do sistema Bretton Woods, o G7 tornou-se forum crucial para coordenacao de politicas economicas globais. Mantem forte influencia sobre instituicoes internacionais como Banco Mundial e FMI, embora sua representatividade global seja questionada com a ascensao de economias emergentes.
Os BRICS
O termo “BRIC” foi originalmente cunhado em 2001 por Jim O’Neill, economista-chefe do Goldman Sachs, identificando Brasil, Russia, India e China como economias emergentes com potencial de alterar significativamente o panorama economico global.
O que comecou como termo academico transformou-se em alianca geopolitica real. Em 2009, realizou-se a primeira cupula oficial dos BRIC em Ecaterimburgo. Em 2010, a Africa do Sul foi convidada, adicionando o “S” ao acronimo. A mais recente expansao ocorreu em 2024, quando Egito, Etiopia, Ira e Emirados Arabes Unidos foram aceitos como novos membros.
Os BRICS fortalecem-se como forca alternativa a ordem economica ocidental dominante, buscando maior representatividade em organismos internacionais e desenvolvendo instituicoes proprias, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
O potencial energetico dos blocos economicos
O potencial energetico do G7
Os paises do G7 apresentam posicao contrastante em termos de producao e reservas de combustiveis fosseis. Os Estados Unidos, apos revolucao do xisto, tornaram-se maior produtor mundial de petroleo e gas natural. O Canada destaca-se por vastas reservas de areias betuminosas em Alberta, representando a terceira maior reserva provada de petroleo do mundo.
Reino Unido e Noruega exploram recursos no Mar do Norte mas enfrentam declinio natural na producao. Alemanha, Franca, Italia e Japao sao altamente dependentes de importacoes de combustiveis fosseis, com reservas domesticas limitadas. Essa configuracao explica, em parte, a vulnerabilidade energetica de varios membros do G7.
Quanto as energias limpas, os paises do G7 apresentam diferentes potenciais. Os Estados Unidos lideram em inovacao e capacidade instalada em varios setores: energia nuclear robusta, significativa producao hidreletrica e lideranca em energia solar e eolica. A Franca destaca-se por matriz energetica fortemente nuclear, representando cerca de 70% de sua geracao eletrica. O Canada possui uma das matrizes energeticas mais limpas, com vasta producao hidreletrica. O Japao, apesar do incidente de Fukushima, mantem investimentos significativos em energia solar e tecnologias de hidrogenio verde. A Alemanha investiu massivamente em energia solar e eolica apos abandonar energia nuclear, embora enfrente desafios de intermitencia. O Reino Unido destaca-se na energia eolica offshore. A Italia possui notavel potencial geotermico e solar em desenvolvimento.
O potencial energetico dos BRICS
Os BRICS representam extraordinario conjunto de potencias energeticas globais. A Russia destaca-se como superpotencia energetica, sendo um dos maiores produtores mundiais de petroleo e gas natural. O Brasil possui uma das matrizes energeticas mais limpas do mundo, com predominancia de energia hidreletrica, alem de crescente producao de petroleo e grande potencial em energias renovaveis. A China, embora maior consumidor de energia global, possui significativas reservas de carvao e lidera globalmente em producao de energia solar e eolica. A India, com extensas reservas de carvao e crescente investimento em energias renovaveis, especialmente solar, emerge como player relevante. A Africa do Sul, rica em carvao, complementa este quadro. Os novos membros adicionam peso: Arabia Saudita e Emirados Arabes Unidos sao potencias petroliferas globais, enquanto Ira possui algumas das maiores reservas de gas natural do mundo.
Os BRICS estao se tornando a nova OPEP, possuindo cerca de 40% da producao global de barris de petroleo e gas natural.
Diversos paises dos BRICS como Brasil, Arabia Saudita, Egito e Emirados Arabes Unidos possuem grande potencial de geracao de energia solar. O potencial de geracao solar, eolico e via hidreletricas e ate maior que o potencial de geracao via combustiveis fosseis nos paises dos BRICS.
Novos projetos de geracao de energia ainda nao implementados pelos paises dos BRICS mostram forte tendencia para energia solar e eolica, especialmente onshore.
G7 vs. BRICS
BRICS e G7 apresentam perfis energeticos marcadamente distintos e complementares. Enquanto G7 possui tecnologia avancada e infraestrutura consolidada, especialmente em energia nuclear e eolica offshore, os BRICS detem vantagens significativas em recursos naturais e potencial de geracao. A Russia possui as maiores reservas de gas natural do mundo; Brasil lidera em capacidade hidreletrica; China, embora grande consumidora de carvao, e lider global em producao de equipamentos e instalacao de energia solar e eolica; India possui enorme potencial solar; novos membros dominam o mercado de petroleo.
Diferentemente do G7, que depende fortemente de importacoes de energia, os BRICS sao majoritariamente exportadores liquidos de energia, com abundancia de recursos naturais e crescente capacidade tecnologica em energias renovaveis.
Esta configuracao sugere que enquanto G7 mantem lideranca em inovacao e tecnologias estabelecidas, os BRICS possuem vantagens competitivas em recursos naturais e potencial de expansao energetica.
Paises dos BRICS com envolvimento positivo com a mineracao de bitcoin
Russia
Apesar de ser grande produtor de energia, antes de 2022 a Russia nunca havia se destacado como polo principal de mineracao de bitcoin.
A invasao russa a Ucrania em 2022 desencadeou sancoes internacionais, incluindo exclusao do sistema financeiro global. Como resposta, diversos paises comecaram a buscar alternativas ao dolar americano. A Russia encontrou na mineracao de bitcoin solucao estrategica, tornando-se segunda maior mineradora mundial, com capacidade de 1 GW (dados de abril de 2023).
Esta movimentacao permite ao pais monetizar sua energia ociosa e acessar sistema financeiro nao censuravel, contornando sancoes impostas. O Banco Central russo desenvolveu legislacao especifica para uso de criptomoedas em comercio exterior, evidenciando adaptacao pragmatica as novas circunstancias geopoliticas.
Ira
O Ira possui relacao pragmatica com Bitcoin, tendo reconhecido oficialmente a mineracao como industria em 2019, atraindo mineradores devido a eletricidade barata. Contudo, limitacoes na infraestrutura eletrica levaram a restricoes temporarias, como banimento da mineracao entre maio e setembro de 2021 devido a apagoes.
O pais tem utilizado estrategicamente as criptomoedas, especialmente em parceria com a Russia, como ferramenta para contornar sancoes internacionais e reduzir dependencia do dolar americano em transacoes internacionais, aproveitando-se da natureza descentralizada das criptomoedas.
Etiopia
A Etiopia esta emergindo como potencial hub para mineracao de bitcoin na Africa devido a abundantes recursos de energia renovavel, especialmente hidreletrica, com a Grande Barragem da Renascenca Etiopica (GERD) tendo capacidade para gerar ate 6.450 megawatts.
Em novembro de 2023, o governo etiopico lancou politica oficial para mineracao de bitcoin, estabelecendo diretrizes para licenciamento de mineradores e exigindo uso de energia renovavel. A decisao estrategica de atrair mineradores alinha-se com objetivos do pais de monetizar excesso de capacidade energetica e atrair investimentos estrangeiros, embora enfrente desafios significativos em infraestrutura e estabilidade politica.
Emirados Arabes Unidos
Os Emirados Arabes Unidos tem se posicionado estrategicamente no cenario de mineracao de bitcoin, aproveitando abundante energia proveniente de petroleo e gas natural. Dubai destaca-se como hub de mineracao de criptomoedas, com governo implementando regulamentacoes especificas atraves da Virtual Assets Regulatory Authority (VARA).
Empresas como Phoenix Group realizaram investimentos significativos em operacoes de mineracao na regiao, incluindo construcao de uma das maiores fazendas de mineracao do Oriente Medio. A iniciativa dos EAU de abracar mineracao de bitcoin faz parte de estrategia mais ampla de diversificacao economica alem do petroleo, embora o calor extremo da regiao apresente desafios tecnicos para operacoes.
Paises dos BRICS com envolvimento negativo com a mineracao de bitcoin
China
A relacao da China com Bitcoin foi marcada por postura historicamente adversarial, com multiplas tentativas de restricao desde 2013. Apesar disso, o pais dominou mineracao global ate 2021, chegando a concentrar 70% do hashrate em 2019. O banimento da mineracao em 2021 foi ponto de virada significativo, mas a natureza descentralizada da atividade permitiu sua persistencia.
Recentemente, observa-se possivel suavizacao desta postura adversarial, evidenciada pela aprovacao de ETF de bitcoin em Hong Kong, sugerindo potencial mudanca na estrategia chinesa em relacao ao Bitcoin.
Paises dos BRICS sem envolvimento claro com a mineracao de bitcoin
India
A India mantem relacao complexa e ambivalente com mineracao de bitcoin. Apesar de possuir grande potencial energetico e robusta infraestrutura tecnologica, o pais adotou postura cautelosa em relacao as criptomoedas em geral.
O governo indiano demonstra preocupacao com alto consumo de energia associado a mineracao de bitcoin, especialmente considerando desafios do pais em fornecer energia estavel para sua grande populacao. Embora nao haja proibicao explicita da mineracao, falta de clareza regulatoria, combinada com altos custos de eletricidade e imposto de 30% sobre ganhos com criptomoedas, tem desencorajado estabelecimento de grandes operacoes.
Existe comunidade ativa de mineradores de pequena escala, principalmente em regioes com excedente energetico ou acesso a fontes de energia renovavel mais baratas.
Brasil
O Brasil poderia emergir como participante interessante no cenario global de mineracao de bitcoin, impulsionado principalmente por matriz energetica predominantemente renovavel e precos competitivos de energia hidreletrica. O pais possui potencial para atrair mineradores internacionais, seja pelo excedente energetico no Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste relacionados a energia hidreletrica, seja pelo excedente gerado pela energia eolica no Nordeste.
O ambiente regulatorio brasileiro mostrou-se relativamente receptivo ao setor, com aprovacao do Marco Legal das Criptomoedas em 2022, que proporciona maior seguranca juridica. Entretanto, o chamado “custo Brasil” representa desafio significativo para importacao das maquinas especificas da mineracao e incertezas geradas pela inseguranca juridica afastam investidores.
Africa do Sul
A Africa do Sul tem relacao peculiar com mineracao de bitcoin, caracterizada por potencial significativo mas limitado por desafios estruturais. O pais enfrenta severa crise energetica, com frequentes apagoes e racionamento de energia pela estatal Eskom, impactando naturalmente desenvolvimento da mineracao de bitcoin em larga escala.
Apesar disso, existe crescente comunidade de mineradores de pequeno e medio porte, buscando alternativas energeticas como energia solar. O ambiente regulatorio sul-africano mostrou-se relativamente aberto as criptomoedas, sendo um dos primeiros na Africa a estabelecer diretrizes, embora mineracao ainda opere em area regulatoria cinzenta.
A combinacao de infraestrutura financeira desenvolvida com desafios energeticos cronicos cria cenario onde mineracao de Bitcoin existe, mas nao consegue atingir pleno potencial.
Egito
O Egito mantem relacao cautelosa e restritiva com mineracao de bitcoin e criptomoedas em geral. O pais, enfrentando desafios significativos em seu setor energetico e dependendo fortemente de combustiveis fosseis, adotou postura conservadora. Autoridades religiosas ate declararam a pratica contraria a lei islamica.
Em 2021, governo egipcio implementou regulamentacoes mais rigidas contra criptomoedas, efetivamente proibindo mineracao de bitcoin sem licencas especificas. Apesar de possuir potencial para energia solar, o pais priorizou uso de recursos energeticos para desenvolvimento industrial e necessidades basicas populacionais.
Existe mercado informal de mineracao, operando principalmente em pequena escala e de forma discreta, embora autoridades periodicamente realizem operacoes para coibir atividades nao autorizadas.
Motivacoes para um pais se envolver com o Bitcoin
Existem tres formas que um pais pode se envolver com Bitcoin: 1) compra direta do ativo bitcoin para uso como ativo de reserva estrategica; 2) uso da mineracao de bitcoin para monetizacao de energia ociosa; 3) mineracao de bitcoin como hedge anti-sancoes.
Como mineracao e foco deste texto, serao tratados os dois motivos distintos que levarao cada vez mais paises a se envolverem com mineracao de bitcoin: monetizar recursos naturais ociosos e usar mineracao como hedge anti-sancoes.
Mineracao de bitcoin como ferramenta de monetizacao de energia ociosa
A mineracao de bitcoin funciona como ferramenta unica para monetizar energia que, de outra forma, seria desperdicada ou subutilizada. Este processo e particularmente valioso em situacoes onde existe excedente energetico que nao pode ser eficientemente armazenado ou transportado para centros consumidores, seja por limitacoes de infraestrutura de transmissao, distancia geografica ou variacoes sazonais na demanda.
Usinas hidreletricas durante periodos de alta vazao, campos de gas natural em locais remotos, energia solar em regioes com rede eletrica limitada, ou energia eolica durante periodos de baixo consumo podem direcionar seu excedente para mineracao de bitcoin, transformando energia desperdicada em ativo digital globalmente negociavel.
Esta caracteristica torna mineracao de bitcoin particularmente atraente para paises com abundancia energetica mas acesso limitado a mercados consumidores, permitindo converter energia ociosa em valor financeiro independentemente de localizacao geografica ou infraestrutura de transmissao.
O exemplo do Butao
O Butao emergiu como caso unico na adocao de Bitcoin, acumulando aproximadamente 13.000 BTCs (equivalente a 30% de seu PIB) atraves de operacoes de mineracao utilizando energia hidreletrica 100% renovavel. Sob lideranca do Rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, o pais iniciou operacoes de mineracao em 2019 e tem utilizado sua abundante energia para se posicionar estrategicamente no cenario global, sendo o unico pais CO2 negativo do mundo e que conta com maior reserva de bitcoin em relacao ao seu tamanho.
O plano estrategico do Butao de utilizacao do Bitcoin vai alem da simples acumulacao de reservas via monetizacao de energia excedente, integrando-se a projeto mais amplo de modernizacao que inclui construcao da “Gelephu Mindfulness City”, um centro de tecnologia e empreendedorismo. A iniciativa permite ao pais desenvolver certa independencia financeira da India, acessar moeda forte, desenvolver habilidades tecnicas locais e atrair investimento estrangeiro.
O pais ja implementou sistema de identidade digital na blockchain Polygon e esta desenvolvendo competencias em mineracao de bitcoin, demonstrando como tecnologia pode ser utilizada para impulsionar desenvolvimento socioeconomico enquanto mantem harmonia com tradicoes culturais e valores ambientais.
Mineracao de bitcoin como hedge anti-sancoes
A mineracao de bitcoin emerge como ferramenta estrategica contra sancoes economicas internacionais por oferecer mecanismo financeiro que opera fora do sistema bancario tradicional controlado pelos Estados Unidos. Quando pais enfrenta sancoes que o excluem de sistemas como SWIFT ou congelam suas reservas internacionais, mineracao de bitcoin surge como alternativa viavel para manter liberdade de transacao.
O que permite que pais seja excluido do SWIFT e a caracteristica centralizada deste sistema de pagamentos internacionais. No caso da mineracao de bitcoin, basta que pais que deseja se proteger de sancoes detenha participacao na hashrate da rede para garantir realizacao de suas transacoes. Isso ocorre porque mineradores determinam quais transacoes entrarao nos blocos de mineracao validadas e adicionadas a blockchain.
Por exemplo: mesmo se Estados Unidos dominarem 80% da hashrate global do Bitcoin, caso Russia detenha somente 5% da hashrate, isso significa que tera acesso a aproximadamente 5% dos blocos minerados. Entao mesmo que Estados Unidos tentem determinar que transacoes com moedas marcadas como russas nao sejam aceitas por mineradores em suas jurisdicoes, essas transacoes seguirao sendo possiveis. Em outras palavras, um pais realizar mineracao de bitcoin pode ser visto como ele garantindo acesso a pelo menos alguns blocos por dia, tornando-o efetivamente incensuravel/insancionavel.
Alem disso, bitcoin minerado pode ser utilizado para facilitar comercio internacional, acessar moedas fortes ou manter reservas de valor fora do alcance de jurisdicoes estrangeiras. Com isso, mineracao de bitcoin oferece forma de soberania financeira que nao pode ser facilmente bloqueada ou controlada por governos externos, desde que pais possua recursos energeticos e infraestrutura adequada para mineracao. Russia e Ira ilustram bem essa forma de utilizacao da mineracao de bitcoin como hedge contra sancoes.
Russia
A Russia tem utilizado Bitcoin como ferramenta estrategica para contornar sancoes economicas internacionais de varias maneiras. Apos ser excluida do sistema SWIFT e ter suas reservas internacionais congeladas, o pais adaptou-se rapidamente, tornando-se segundo maior minerador de bitcoin do mundo, com capacidade de 1 gigawatt, atras apenas dos Estados Unidos.
A estrategia russa na utilizacao da mineracao de bitcoin baseia-se em dois pilares principais: primeiro, monetizacao de seu excesso de energia atraves da mineracao de bitcoin, convertendo recursos energeticos que nao podem mais ser vendidos tradicionalmente (devido as sancoes) em ativo digital global. Segundo, utilizacao do Bitcoin como meio de pagamento internacional que nao pode ser censurado ou bloqueado por governos estrangeiros, diferentemente do sistema bancario tradicional.
Esta adaptacao tem se institucionalizado atraves de parcerias entre empresas estatais e mineradoras - como colaboracao entre BitRiver e Gazprom (uma especie de Petrobras russa) - e atraves do desenvolvimento de marco regulatorio pelo Banco Central russo que permite uso de criptomoedas especificamente para transacoes de comercio exterior.
Desta forma, Russia consegue manter parte de suas operacoes comerciais internacionais mesmo estando excluida do sistema financeiro tradicional, demonstrando como rede de pagamentos descentralizada conhecida como Bitcoin pode funcionar como tecnologia de resiliencia economica em face de sancoes internacionais.
O futuro da mineracao de bitcoin nos paises dos BRICS
O futuro dos BRICS e sua relacao com Estados Unidos e seus aliados permanece uma das grandes incognitas da geopolitica contemporanea. A recente expansao do bloco, com inclusao de paises como Arabia Saudita, Ira, Egito, Etiopia e Emirados Arabes Unidos, sugere crescente influencia do grupo no cenario internacional, especialmente em questoes economicas e comerciais.
A busca por alternativas ao dolar nas transacoes internacionais, desenvolvimento de novas rotas comerciais e fortalecimento de lacos diplomaticos entre membros indicam movimento em direcao a mundo multipolar. Contudo, complexas relacoes bilaterais de cada pais membro com EUA, diferentes agendas politicas dentro do proprio bloco e constantes mudancas no cenario global tornam impossivel prever com certeza se prevalecera ambiente de competicao acirrada ou se emergira novo modelo de cooperacao internacional mais equilibrado.
Entretanto, uma coisa e certa: em qualquer um destes cenarios futuros, mineracao de bitcoin seguira emergindo como atividade estrategica para nacoes dos BRICS, seja para se proteger de possiveis sancoes, seja para monetizar parcela ociosa de seus vastos recursos energeticos.